Esta é a manchete da capa da Revista Vitrine de outubro, com a matéria: Português o terceiro idioma, assinada por Alexandre Higa, que trata da educação bilíngue. Leia a revista e tire suas próprias conclusões.
Eu penso que:
Se vivemos num círculo bilíngue, de família brasileira no Japão, por que as crianças não podem falar os dois idiomas? Se frequentam a escola japonesa, passam o dia ouvindo e falando japonês. Por que assassinar a língua portuguesa dentro de casa? Por que não valorizar a cultura brasileira e os costumes?
Mesmo pensando que jamais voltaremos a morar no Brasil, nunca e jamais são palavras incertas... Mesmo com vida estabilizada aqui, convivemos com desastres naturais constantes, tufões, terremotos, maremotos, vulcões... e ainda os mísseis da Coreia do Norte, as usinas nucleares, as crises econômicas... Muita gente voltou apavorada para o Brasil por causa da radiação de Fukushima. Nessas horas a gente lembra que é brasileiro, os japoneses não têm pra onde fugir, nós temos... E essas crianças que se acham japonesas porque nasceram aqui, se tiverem que ir para o Brasil? Precisamos valorizar nossas origens.
Os japoneses foram para o Brasil, aprenderam português e continuaram falando japonês, preservam sua cultura e investiram na educação de seus filhos, enquanto trabalhavam duro nas roças, formaram médicos, engenheiros, dentistas, etc. Enquanto isso, no Japão temos uma minoria que se forma em escolas técnicas ou faculdades. Temos ainda, lamentávelmente, crianças no quarto, quinto ano do ensino primário, sem saber o mínimo necessário: ler e escrever. Lembrando que a escola japonesa não reprova, muitos alunos se formam, semi-analfabetos, no ginásio apenas porque o ensino é obrigatório até os 15 anos... Será que a culpa é apenas da escola? Será que os alunos frequentam as aulas todos os dias?...
Nós vivemos num meio onde podemos aprender idiomas com nativos de várias partes do mundo, a preços acessíveis nos centros internacionais das cidades, e ainda nas escolas ou cursinhos. Por que não aproveitar?
Como mãe, eu me recuso a falar com meus filhos num idioma que, por mais que eu estude, provavelmente não dominarei 100%, falando em português claro já é difícil compreendê-los...
Como professora, na minha humilde experiência, eu percebo que as crianças que dominam os dois idiomas têm muito mais facilidade de aprender.
Educar em dois idiomas, pode ser trabalhoso, mas é o futuro do seu filho.
Silvia Chaparral
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