Com carinho...

Estou fazendo este espaço, com toda minha simplicidade e vontade de aprender a ensinar melhor, para publicações relacionadas ao meu trabalho de professora alfabetizadora no Japão.
Espero que gostem e aceito sugestões...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

_Me faz um onegai?... Dai joubu? Arigatou...

Aqui no Japão estamos falando e escrevendo um novo idioma, metade português, metade japonês... Entre adultos, tudo bem mas cada vez que falamos dessa maneira com uma criança estamos lhe tirando a oportunidade de se se expressar naquilo que deveria ser sua língua materna: a língua portuguesa do Brasil... Cada vez que fazemos uma pergunta em português e aceitamos a resposta em japonês, estamos deixando claro que a criança pode se comunicar dessa maneira, que não precisa falar português...
Especialistas estão sempre falando na importância da língua materna e blábláblá... resumindo: todos sabemos que a melhor maneira de se aprender um idioma é com professores nativos e então não adianta apenas pagar os melhores professores, escolas ou comprar cursos pela internet, etc., e continuar falando japonês dentro de casa. Os melhores professores do mundo são as pessoas da família: pais, mães, tios, avós... os outros ensinam a ler, escrever, interpretar textos, gramática, cultura do Brasil, História... mas não podem ensinar as crianças a amar um país que não conhecem. Eles tentam... As famílias precisam mostrar para seu filhos que o Brasil não é só aquilo que a tevê japonesa mostra: futebol, os índios e anacondas da Amazônia, as mulheres quase nuas do carnaval do Rio, as capivaras do Pantanal, cachoeiras de Foz do Iguaçu e claro: os roubos frequentes... E mostrar como? Conversando em português, contando suas histórias, comprando livros, gibis, filmes... As crianças que frequentam a escola japonesa, falam japonês normalmente, pensam em japonês e algumas até se acham japonesas pelo fato de terem nascido aqui...
As crianças que falam os dois idiomas têm muito mais facilidade de aprender, interpretam textos com mais facilidade, pensam rápido, enfim: transitam livremente entre os dois mundos...
Educar um filho na sua língua materna é valorizar as raízes, saber de onde veio e ter sempre a porta aberta para quando quiser ou precisar voltar. As vezes é lindo ver uma criança brasileira falando japonês tão bem, mas as vezes a própria mãe não entende o que ouve porque seu nível de japonês é insuficiente e ainda, há crianças que se envergonham da forma comos os pais falam... Basicamente,  temos duas opções: preservar a língua portuguesa dentro de casa ou estudar japonês...
Eu só queria lembrar que: os japoneses foram para o Brasil, fundaram vilas, clubes, associações, discriminaram e foram discriminados, etc., e apesar da fama de  que a terceira e quarta geração não estão nem aí, existem inúmeras associações japonesas, todas lutando pela preservação de seus costumes e cultura. Os japoneses do Brasil valorizam coisas que os daqui já até se esqueceram...  Mas e nós? Quantas associações de brasileiros temos no Japão? Em Toyama?  
Então, vamos fazer um onegai para nós mesmos: toda vez que, por descuido, costume ou necessidade, falarmos com as crianças, coisas do tipo:
_ Já fez o shukudai?  ou _ Lição de casa shita no?
Corrijamos em seguida:
_ Já fez a lição de casa?
Pode dar trabalho, mas o vocabulário do seu filho agradece. E as dificuldades ortográficas ficam menos difíceis...
Nós criamos os filhos para o mundo, mas pode ser um mundo que fale japonês... português... inglês...

                                                                                                     Silvia Chaparral

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