Este é um dos muitos ditos populares que usamos no Brasil, ensinamento que vem de nossos avós.
Acho que na família da minha mãe, as mulheres já nascem professoras, é todo mundo corrigindo todo mundo o tempo todo...
_ Senta direito... não senta de pernas abertas... feche a boca pra comer... mastigue em silêncio... cuidado com os dentes...
Bem, nós aprendíamos a amar os dentinhos desde pequenos, eles poderiam voar caso falássemos alguma coisa que não podia... também tinha aquela coisa dos esses eerres , todos nos seus devidos lugares.
Ser corrigido o tempo todo é chato mas, pelo menos, a gente aprendeu certo e hoje erra porque quer ou por relaxo mesmo.
Depois de adulta a tortura continuou com os filhos, sobrinhos... e a gente até fomos no shopping com os Mamonas Assassinas, mas fora isso ...
_Tia, aonde a gente vamos hoje?
_ A gente não vamos a lugar nenhum. Nós vamos ou iremos ou a gente fica...
Hoje me lembrei de uma das Marias que trabalhou comigo, na cozinha do meu restaurante. Pessoa simples, alegre, trabalhadeira, vivia me corrigindo, todo santo dia me torturava com marmitas e garfos. Era irritante. Talvez fosse irritante para ela também, talvez não entedesse como eu: uma pessoa com mais estudo que ela, professora e metida a escritora, podia falar tão errado daquele jeito... tem gente que aprende por repetição, tem gente que não aprende de jeito nenhum, devia ser o meu caso... Bastava prestar atenção no meu prório nome, então seria lógico: Silvia, galfo, malmita, caldalço...
E o pior é que ela frisava de propósito para me corrigir: _ Siiiiiiiiiiiiuvia, já passei aaaaaaucoou nos gaaaaaaaaaufos... Já lavei as maaaaumitas...
Talvez, também, se sentisse aliviada por eu não ser a prefessora dos filhos dela... Imagine, não sabia nem pra mim. Não dava conta de corrigir nem meus próprios filhos... Coitadinhos, todos falando errado. Filho de peixe...
E toda vez que vejo um garrrrrrrfo...
Silvia Chaparral
Acho que na família da minha mãe, as mulheres já nascem professoras, é todo mundo corrigindo todo mundo o tempo todo...
_ Senta direito... não senta de pernas abertas... feche a boca pra comer... mastigue em silêncio... cuidado com os dentes...
Bem, nós aprendíamos a amar os dentinhos desde pequenos, eles poderiam voar caso falássemos alguma coisa que não podia... também tinha aquela coisa dos esses eerres , todos nos seus devidos lugares.
Ser corrigido o tempo todo é chato mas, pelo menos, a gente aprendeu certo e hoje erra porque quer ou por relaxo mesmo.
Depois de adulta a tortura continuou com os filhos, sobrinhos... e a gente até fomos no shopping com os Mamonas Assassinas, mas fora isso ...
_Tia, aonde a gente vamos hoje?
_ A gente não vamos a lugar nenhum. Nós vamos ou iremos ou a gente fica...
Hoje me lembrei de uma das Marias que trabalhou comigo, na cozinha do meu restaurante. Pessoa simples, alegre, trabalhadeira, vivia me corrigindo, todo santo dia me torturava com marmitas e garfos. Era irritante. Talvez fosse irritante para ela também, talvez não entedesse como eu: uma pessoa com mais estudo que ela, professora e metida a escritora, podia falar tão errado daquele jeito... tem gente que aprende por repetição, tem gente que não aprende de jeito nenhum, devia ser o meu caso... Bastava prestar atenção no meu prório nome, então seria lógico: Silvia, galfo, malmita, caldalço...
E o pior é que ela frisava de propósito para me corrigir: _ Siiiiiiiiiiiiuvia, já passei aaaaaaucoou nos gaaaaaaaaaufos... Já lavei as maaaaumitas...
Talvez, também, se sentisse aliviada por eu não ser a prefessora dos filhos dela... Imagine, não sabia nem pra mim. Não dava conta de corrigir nem meus próprios filhos... Coitadinhos, todos falando errado. Filho de peixe...
E toda vez que vejo um garrrrrrrfo...
Silvia Chaparral
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